sábado, 21 de agosto de 2010

Pessoas que Fazem a Diferença!

Ontem foi definitivamente o pior dia desde que eu cheguei em Paris. Encontrei com a Campebell num café perto da escola pra darmos uma última revisada nas receitas. Na verdade já sabíamos qual seriam as duas receitas escolhidas pois o pessoal da outra classe que fez de manhã nos contaram. Seria o Côte de Veau Grand-Mère e o Filet de Daurade. Fomas pra escola, nos trocamos e eu já estava super nervosa. 15min antes do horário subimos e ficamos esperando em frente a porta da Petit Salle 2 (cozinha pequena do segundo andar), onde seria realizado o teste. O chef chato (não quero mais chamar ele assim, vocês vão entender porque) colocou no chapéu fichas amaralas e azuis e nós deveríamos pegar uma por sorte. A amarela era o peixe e a azul carne. Peguei o peixe! Fiquei até que feliz pois tinha muito menos coisa pra fazer. Entramos na sala e já estava tudo organizado em cima das bancadas. Tive que mudar do lugar onde sempre fico pois os ingredientes de peixe estavam do outro lado e nós não podíamos mudá-los. Tivemos 5 min pra verificar se tudo estava correto e logo depois o cronômetro começou a rodar. Comecei pela alcachofra que tinha que tornear. Esatava muito nervosa, parecia que uma penumbra tinha entrado na sala e eu não conseguia ver nada. Acho que tinha tanto sangue no meu cérebro que a pressão impediu minha visão. Estava um clima super tenso, ninguém falava nada, todo mundo concentrado e tentando fazer as coisas o mais rápido e perfeito possível. Fiz uma besteira! Não sei o que aconteceu mas fui acertar a alcachofra e cortei o lado errado, tirando quase todo o fundo que era o que deveríamos apresentar. Respirei fundo e pensei "não vou deixar isso acabar com o meu teste. Vou fazer o melhor peixe do mundo e compensar essa falha". Coloquei a alcachofra pra cozinhar e parti pro meu peixe. Nesse momento as coisas foram começando a ficar mais claras. Continuei concentrada e controlando o nervosismo. O chef que ficou com a ente foi o chef chato (última vez que eu o chamo assim).
Quando minha alcachofra ficou pronta escorri a água e vi que não teria condições de apresentá-la, tinha quase um buraco no meio. Nossa que raiva, eu já fiz isso 500 vezes e sempre deu certo! Que m* de nervosismo! Chamei o chef de lado e fui o mais sincera possível: "Chef, fiz uma besteira, cortei o lado errado da alcachofra, olha". Quando mostrei pra ele, ele fez"vixi, não vai dar, você quer fazer outra?", e eu disse "posso?". Ele colocou uma nova alcachofra na minha mão e disse "não conta pra ninguém, eu sei que você pode fazer melhor, só esconde essa dai que você já fez caso você precise". Meu eu amo o Chef chato!!!! Nossa juro, fiquei me sentido a pior pessoa do mundo em ter reclamado dele e ter falado tantas coisas ruins dele! Ele simplesmente salvou o meu teste! Fiz uma segunda alcachofra impecável! Assim como minha apresentação e gosto final do peixe! Acho que fui muito bem!
Saí de lá exausta! Usei todos os minutos que eu tinha direito (não achei que isso ia ser preciso). Nossa suei tanto que eu tava usando um top vermelho por baixo e ele manchou a minha doma (parte de cima do uniforme). Nossa foi pauleira total!!! Muito mais do que eu estava imaginando!
A Barbara não conseguia parar de me agradecer pois disse que foi graças a minha que ela passou nesse teste. Ela tbm fez o peixe, e realmente, talvez se eu não tivesse ensinado ela como tirar o filet ela não teria conseguido. Fiquei feliz pela minha boa ação. Esvaziei o meu armário e fomos pra um bar e ela fez questão de me pagar uma cerveja.
Umas 20h peguei minha mochila, sacolas e maleta de facas e voltei de ônibus pra casa. Cheguei na porta e não conseguia achar minha chave de jeito nenhum! Estava tão cansada que tive vontade de sentar no chão e dormir!
Voltei pro ponto e fiquei esperando uns 15 min o ônibus. Não pude deixar de reparar que um adolescente, provavelmente drogado, esperava o ônibus falando sozinho de uma forma super agressiva. Entramos no ônibus (tinha bastante gente no ponto), e daqui a pouco o cara vira pra mim e fala alguma coisa que eu não entendi. Eu comecei a falar que não tina entendido e ele começou a gritar muito agressivamente! Apertou o botão de parar o ônibus quue estava bem na minha frente e começou a grita mais ainda comigo vindo pra cima de mim falando que eu era racista! Nossa ele me xingou de tantas coisas que ainda bem que eu não entendei. Não bastasse isso ele começou a vir pra cima de mim que queria me bater! Um estava tão em coque que não consegui ter nenhuma reação. Um homem atrás dele puxou-o pelo braço e disse "não fala assim com a menina, não fala assim com a menina". Os dois começaram a discutir e o adolescente não parava de olhar pra mim e gritar e xingar. O motorista parou o ônibus e mandou o cara descer. Ele continuou me xingando e ainda deu uns socos no ônibus. Eu não pude evitar e comecei a chorar de uma tal forma que soluçava involuntariamente. Olhei pra janela pois não queria que as pessoas vissem que eu estava chorando. Na verdade estava exausta, não tinha comido nada desde o café da manhã, tinha esquecido minhas chaves e ainda esse cara vem querer me agredir! Não tive como não chorar. Uma mulher colcou a mão no meuu ombro e disse pra eu não ficar assim, que ia ficar tudo bem. Eu me senti mais uma vez culpada no dia pois nós sempre falamos que os franceses são grossos e não pensam nos outros. Isso foi uma rande prova que não é verdade. Eu me senti tão querida por aquela mulher que comecei a chorar mais ainda. Fiquei mais triste pois nem consegui aradecer o homem que me defendeu. Desci do ônibus e caminhei até a escola rezando para que ainda tivesse alguém (já eram 20h50). Cheguei lá e aporta estava trancada com todas as luzes apagadas. Tentei ligar pra Sandra do marketing mas ela não atendeu. Tentei ligar pro Gatto duas vezes mas ele tbm não atendeu. Perdi as esperanças. Sentei nas escadas da escola e comecei a chorar, chorar, chorar! Queria largar tudo e voltar pra casa onde existem pessoas que sabem qe eu existo e que me amam. De repente, não sei da onde, apareceu um cara pedindo licença pra abrir a porta. Eu perguntei se estava aberta e ele disse que não mas ele trabalhava de madrugada lá todo dia pra limpar. Nossa quase abracei e beijei ele! Ele foi muito legal comigo, falou pra eu me acalmar, pegou minhas coisas e colocou de lado até eu ir no vestiário e finalmente pear a mina chave que tinha ficado na porta do armário que eu deixei aberto. Nossa que alívio! A Gabi me ligou e percebeu que eu estava chorando. Ela estava num jantar com um amigo da mãe dela e não poderia encontrar comigo, mas ligou pra Jenny e pediu pra Jenny me ligar.
Voltei pra casa, tentei falar com todo mndo mas ninguém estava o atendia o telefone. Consegui falar no celular da minha mãe e me acalmei um pouco. A Jenny muito fofa chegou e me trouxe um sorvete de spécllos (uma bolacha deliciosa de caramelo e canela que só tem aqui na França). Só ai em percebi que á eram 22h e a úlima coisa qe eu tinha comido foi ao meio dia! Tomei um banho e consegui me acalmar. Tive uma dor de cabeça absurdaaaa, mas tomei um remédio e depois passou. Fomos até um restaurante de uma amiga da Jenny e ela me ofereceu um chhá calmante muito gostoso. Encontramos a Gabi e fomos na casa de m menino da escola que estava fazendo ma reuniãozinha. Ficamos lá ns 30 min e estava todo mundo cansado que voltamos pra casa.
Nossa que dia! Estava acabada! Parecia que eu tinha passado num moedor de carne e saído do outro lado!
Tem gente que não acredita em anjos da guarda. Na verdade nem eu sei se acredito, mas hoje tantas coisas deram errado e sempre tina alguém do meu lado pra me ajudar: o Chef bonzinho (é assim que vou chamá-lo daqui pra frente), o homem e a mulher no ônibus, o faxineiro da madrugada, a Jenny. São pessoas que fazem a diferença nesse mundo e que me ajudam a continuar em frente nessa jornada!
Mas tudo bem, estou a salvo agora e prestes a comer uma moqueca deliciosa na casa da Gabi! São essas pessoas que fazem a diferença!

6 comentários:

  1. Bia, qdo vc me ligou, a única coisa que eu queria era entrar pelo telefone e te abraçar muito! Foi uma sensação horrível estar tão longe nessa hora. Po outro lado foi bom saber que era apenas nervosismo e nada grave tinha acontecido. Foi mesmo um dia inesquecível. É bom saber que tem pessoas por perto que se importam. Um beijo grande!!!!Relaxe e aproveite a viagem amanhã! Mammy

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  2. O anjo da guarda existe sim e foi elê que te
    protegeu nesse dia terrível que voce teve veja
    o seu chefe te deu uma nova oportunidade para
    voce passar na prova. o homen e a mulher no
    onibus te protejeram contra esse drogado e o
    sr. da limpeza achou a chave para voce isso não
    coinsidência mas sim o seu anjo D´Guarda que estava atento e te protegeu.reze para êle estar
    sempre com voce.

    Um beijão

    Avó Zélia

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  3. Ufa, q dia meu mas relaxaaaaaaaa, amanha to aqui te esperando to mto mto mto mto feiz q vc ta chegndo!!!!bjaummmmm

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  4. Ai q fofa Bia!!
    Adorie o lance dos anjos.... Sao esse detalhes pequenos que deixam agt mais felizes mesmo!!
    :):)

    Q bom q vc foi bem na sua prova!!!
    Se ele foi legal com vc... eh pq ele acredito no seu talento!!:):)
    Ta arrazando na cozinha amiga!!:)

    BjuSS

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  5. Realmente esse deve ter sido o pior dia até agora. mas que bom que no fim td deu certo.
    Com certeza o chef percebeu que esse erro foi só por causa do seu nervosismo, do mesmo jeito que ele tbm deve ter percebido que vc é mto talentosa e tem um dom. por isso te ajudou.
    não tenho postado mtos comentários, mas sempre leio as suas histórias.

    bjo

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  6. Oi Bia, que loucura estes últimos dias...
    Bom, agora já está tudo bem e deu tudo certo, às vezes estes dias de tormenta surgem para nos mostrar que não estamos sós neste mundo e que quando a gente pensa que o mundo esta perdido e que não há mais solução, surgem os anjos que aparecem para nos socorrer e nos acender uma luz.
    Quando tudo passa percebemos que há jeito sim e vemos as esperanças serem renovadas, volta-se a crer no mundo e nos seres humanos.
    Eu acredito que tudo acontece para nos mostrar ou ensinar que há valor na humanidade e que todos podem ser felizes, que por mais que a vida nos empurre para um jeito de ser e de viver egoísta, introspectivo, ainda assim vale a pena remar contra a maré e ajudar ao próximo, acreditar nos valores humanos e buscar partilhar a felicidade.
    A vida tem este jeito doido de nos sacudir, mas quando tudo volta ao normal é que nós devemos nos lembrar que somos seres humanos e nascemos para amar uns aos outros.
    Um grande beijo, parabéns pela primeira fase conquistada, descanse bastante, aproveite do seu jeitinho esta ida a Itália.
    Boa semana.

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